Olá caro leitores. Sim! sim! sim! esse amor é tão profundo. Estamos de volta ... chegamos em frente ao portão, cachorros nos latiram, mas não sorrindo. O lorotas voltou pra fazer o que sempre fez, uma postagem de vez em quando para o delírio de alguém que esteja em coma ou com mais de quarenta graus de febre (queima pra valer, queima pra valer!).
Bem meus ocasionais leitores, todos sabem que esse blog sempre teve um compromisso sério em tentar pegar alguém, mas está cada vez mais difícil, por isso resolvemos apenas fazer gracinha e assim sensibilizar alguma garota e fazê-la afeiçoar por pena mesmo.
A Praça da República é um dos espaços mais bipolares da capital paraense, refletindo até a trajetória republicana no Brasil; guarda noites e tardes de domingo obscuras como o período da Ditadura Militar e manhãs monogâmicas e felizes de sol como algum período republicano que o Brasil ainda vai conhecer. No mês de junho a praça se transforma na Meca da cultura paraense, na Disney do papaxibeísmo, numa casa de suingue cultural, onde se misturam brinquedos de miriti, ratos azulados cheio de pontinhos brancos, bonecos que parecem ter malária da China, músicos bolivianos e acima de tudo o Boi. Em junho a cultura paraense se torna adepta da zoofilia e flerta descaradamente com os bovinos.
A bipolaridade da Praça da República
Para fazer com que você (caro leitor que deve tá coçando alguma parte do seu corpo com algo que não foi feito pra coçar) seja trend no último arrastão do Arrial do Pavulagem domingo, o lorotas preparou um manual de sobrevivência a esse evento tão parajoara como o desmatamento ou a grilagem, você vai ser a estrelinha tão cintilante que é pra todo mundo ver. Basta seguir os passos descritos abaixo que você estará automaticamente inscrito para o próximo Terruá Pará.
Passo 1 - Fazer cosplay do Alceu Valença:
Sim meus amigos. Ir para o Arraial do Pavulagem sem chápeu cheio de fitinhas é como viajar para o sul do Pará sem pensar em pistoleiros, por isso nada mais inteligente que copiar o mestre dos chápeus de fita: Alceu Valença. O Arraial do Pavulagem parece um encontro anual de Alceus Valenças, por isso enfeite seu chápeu com várias fitas.
Estudos feitos por universitários que vendem três por cinco comprovaram que a quantidade de fitas no chápeu é fundamental para o sucesso masculino no Arraial do Pavulagem, algo parecido com o pavão, quando o macho de penas mais chamativas sempre se dá bem. Por isso, meu amigo, gaste uma boa quatidade de dinheiro com fitas. Não tem dinheiro? corte suas roupas e faça fitas pra fixar. Não tem roupas? Arranque tiras da sua pele ou coloque fatias de bacon! vale tudo para ser o primo Itchy do chápeu com fitas.
Tente ser o primo Itchy do chápeu de fitinhas
Passo 2 - Seja paraense ao máximo:
Para se destacar no meio da multidão um chápeu transado nao basta, é preciso aflorar todo o parensismo que existe dentro de você. Por isso faça tudo que um paraense faz durantes os festejos pavulaginos: tome açaí, tacacá, coma maniçoba, pato no tucupi (de preferência ao mesmo tempo), dance carimbó, admire a chuva, passe horas no engarrafamento, leia Benedito Nunes, se orgulhe do calor e vá embora pra São Paulo tudo isso é claro com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Você será o Tony Moderação Manero do Arraial do Pavulagem.
Reparem no olhar de admiração da moça, siga nossas dicas que você receberá milhares desses
Passo 3 - Ame o boi:
Outro fator determinante no seu sucesso no Arraial do Pavulagem é seu amor pelo principal objeto de desejo do cortejo: o boi, para se destacar é preciso saber tudo sobre bovinos: a anatomia, com o nome dos três estômagos e os diversos tipos de raças bovinas. É preciso viver o boi por isso passe a semana assistindo o canal do boi.
Ame o boi
Em meio á multidão de Itchys com a cabeça fitada, destaca-se aquele que demonstrar mais afeto pelo boi, por isso algumas senhoritas enfeitam a cabeça de seus namorados e demonstram amor por eles no cortejo.
Assim para ser a estrela derradeira do arraial do pavulagem você deve exarcerbar seu amor pelo boi, se possível leve um bovino ao cortejo e solte-o pela praça, ou demonstre seu carinho por ele com carícias, você jamais será esquecido pela multidão ... também pelo boi.
Leve um boi e solte-o na Praça
4 - Siga o homoafetivo:
Na hora do cortejo é importante não ficar parado, também você não pode se comportar como se estivesse em uma micareta gritando "OASARRÊA" abraçadinho em uma roda. É preciso mostrar o mínimo de malemolência e intimidade com a cultura pavulagística na hora de louvar o boi, o lorotas tem uma dica infalível pra você.
Toda vez que o Arraial do Pavulagem começa a tocar, brota da terra um sujeito homoafetivo com camiseta apertadinha ditando o ritmo da dança. Ele é uma espécie de tutorial do boi, sabe todos os passos, rege a multidão. Você, meu caro, deve apenas seguir os passos do mancebo e se jogar no louvor bovino. Mas tenha cuidado! não imite TUDO que ele faz, pode ser perigoso para algumas partes do seu corpo.
Faça como eles, siga o coreógrafo
Passo 5 -Toque algum instrumento musical:
Para elaborar esse manual nossa equipe composta por ... mim acompanhou cinco minutos do arrastão e percebeu uma hierarquia social nos cortejos do Arraial do Pavulagem, é mais ou menos assim: no topo da pirâmide social estão os portadores de microfone, seguido deles estão as pessoas tocando algum instrumento, seguidos de casais apaixonados, manicadores ocasionais, patricinhas, casais com filho, casais com filho pequeno, casais com filho pequeno dormingo e por último os entusiastas de tecnobrega inflando o saco das pessoas com seus carros que mais parecem seres abissais de alguma fenda oceânica do pacífico emitindo luzes e péssima música.
Gambiarras musicais
Assim para mostrar algum status social no cortejo do Pavulagem, é preciso portar algum instrumento musical, quanto mais artesanal melhor. Você pode elaborar um saxofone com caixas de pasta de dente, uma cuíca com latas de manteiga, um agogô com copos de requeijão, um acordeon com caixas de sapato, um apito com O.B. Enfim, quanto mais o rústico e descolado for seu instrumento musical maior sua possibilidade de mobilidade social.
Passo 6 - Tire fotos, muitas fotos:
De que adianta você querer fazer o GTA do paraensismo se ninguém vê? as pessoas precisam saber que você é um sabonete Phebo de cultura. Por isso você precisa tirar muitas fotos e expô-las em todos os lugares que você estiver: twitter, orkut, facebook, currículo, quadro desaparecidos do jornal Liberal.
O mundo precisa saber que você é paraense e que ama bois, por isso crie um álbum chamado "viva la vida" nos seus perfis e coloque as imagens ... elas ficarão lindas ao lado das fotografias do portal da Capiroska e daquelas suas com cara de bacuri passando frio em alguma viagem da CVC.
...adicionou 78952 fotos ao álbum viva la vida
Após essas dicas é só se preparar para o domingo e curtir o último dia do arrastão do Arraial do Pavulagem pronto para mostrar à essa cidade que ninguém ama mais esse boi do que você ... talvez a Mônica Mattos né?



















9 pessoas enganadas:
Eu como primeira pessoa enganada, digo, primeira a comentar no vosso blog, gostaria de parabenizar o teu texto e dizer que realmente muito do que escreveste é a realidade dos domingos de arrastão. Aliás, não só dos domingos, pq em belém acontece arrastão todo dia, mas vamos especificar...
Eu participo do Pavulagem há três anos, e sou testemunha da alegria, bagunça e manifestação de ariscagem que acontece nos entornos da Presidente Vargas e da Praça nos domingos de junho. É muito interessante ver os turistas se embasbacando quando pensam que se trata de um boi de verdade e muitos universitários transformando o cortejo num verdadeiro ‘Belém Importados’ das bebidas, com preços de R$1,99.
Como eu sou da arte circense, tenho uma visão ampla do cortejo e vejo de tudo, desde os meliantes de topete loiro prontos pra assaltar alguém aos grupinhos de meninas sub-15 se embriagando com um Ice. O que me incomoda no cortejo são as pessoas que querem ficar na frente do boi, só pra terem um bom ângulo de suas respectivas Tecpix’s. Mas isso nós resolvemos, dando um belo chute com a perna-de-pau, afinal, há que se ter uma defesa sempre. Geralmente, temos que chegar cedo pra fazer a pintura artística no rosto, mas existem uns que se empolgam, criando a reprodução perfeita de um integrante do KISS, e com isso, causando medo nas crianças que acompanham o cortejo. Ou ainda de Marylin Manson, levando ao desespero as pobres senhoras que vão para a praça com seus leques de três Círios atrás.
Fora estes pequenos problemas, há que se considerar que o Arrastão do Pavulagem é uma manifestação de grande valor na cultura paraense. Assim como o Círio, ela merece ser sempre divulgada e mostrada como essa festa linda que nós vemos todos os anos.
Parabéns pelo texto, Antônio! =)
Pena estar morando em outra cidade e estar impossibilitada de usar dicas tão úteis, postar fotos no meu álbum "por aí" e tirar fotos fazendo pose com bebidas baratas.
Se eu disser que não sinto saudade disso, estou mentindo.
P.S.: Faltou uma dica para sobreviver até a noite com a mesma roupa no mormaço-biruta-solamar.
Parabéns! Muito boa a prosa....Eu e a minha namorada, tentamos acompanhar num domingo desses mas constatamos exatamente muita gente pavulagem...."que só quer ser". E mais, felizmente estamos marginais da hierarquia social do "pavulagissi". Parabéns Loro! Muito bom.
Sobreviver com a mesma roupa foi demais! (Simone Silva)
PS: Siga o homoafetivo (no comments)
Hahahahahaha.
Texto engraçadíssimo!
"tutorial do boi" foi de matar de rir...
Ué, o que houve com as tradicionais bebidas quentes (Cerpa, Skol, Schin, etc..) que não podem faltar a um arrastão que se preze ?
Ótimo texto. Você usa de ironia, sem exagero. Parabéns.
Abraços
http://diariodeumamulherdespeitada.wordpress.com/2010/07/22/quem-foi-ao-para-parou/
huahauhuahaua!!!
Ótimo texto, Antonio.
:**
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