Caros leitores, voltei, dessa vez para ... demorar ainda mais pra postar e ficar inventando desculpas. O blog está de volta, para a alegria dos que adoram tirar barato com a minha cara e tristeza dos não convidados para a ceia do Senhor.
Bem, eu gostaria de monologar aqui sobre algo tão comum hoje em dia mas de ascensão recente no nosso dia-a-dia, algo que alegra as meninas, as crianças, homens e mulheres; um instrumento rijo fazedor de volume no jeans masculino; item indispensável na bolsa feminina, sempre vibrando em horas indesejáveis. Vocês sabem do que eu tô falando né? ... Não seus pervertidos! eu me refiro ao celular.
Não seus pervertidos, o que provoca volume nos bolsos das calças jeans é o celular!
Os primeiros telefones celulares surgiram nos anos 50, período auge da Guerra Fria, como arma norte-americana contra os soviéticos. A turma do "Oh yes" pretendia implantar vários aparelhos desses nas salas de aulas soviéticas com seus ringtones forronejos interrompendo a aula e seus joguinhos tirando a atenção dos alunos. Ou seja, os norte-americanos pretendiam interromper o processo educacional soviético com o celular, impedindo o surgimento de novas tecnologias ameaçadoras à ordem capitalista. Contudo os primeiros celulares não eram muito portáteis (pesavam mais de quarenta quilos) o que impediu o êxito dos planos Ianques.
O primeiro celular criado e o primeiro celular com câmera integrada
No Brasil, ainda início dos anos 90, Cláudia Raia foi a primeira pessoa a fazer uso do Celulari publicamente. A tecnologia era cara e os aparelhos telefônicos serviam apenas para realizar ligações ... sem graça né?!A partir da segunda metade dos anos 90, durante o governo FHC, começou a era das privatizações, um período áureo para parte dos políticos desse país, um patrimônio construído em mais de cinquenta anos de investimento estatal foi vendido mais barato que toalha com estampa e mulher nua no tabuleiro da Makell, as estatais brasileiras foram compradas pelo setor privado e o dinheiro proveniente dessa venda foi investido tão bem que até hoje está rendendo ... POLÊMICA!
O objetivo das privatizações, dizia FHC boca de sovaco, era modernizar as empresas estatais promovendo a concorrência, no setor da telefonia foi mais ou menos o que aconteceu. No período da antiga Telepará os telefones celulares e as ligações eram demasiadamente caros, a privatização promoveu a concorrência entre as empresas, diminuiu o custo da ligação, enriqueceu políticos pedófilos e criou essa realidade que conhecemos hoje.
No Pará, a tiaozona Telepará foi substituída pela Amazônia Celular e os telefones móveis ganhavam força com o lançamento do primeiro identificador de lisos do século 21: o celular pré-pago, os minutos ainda eram caros; o celular, mais ou menos; mas tinha o Tetris - grande legado soviético - para entrerter na viagem até o 40 horas.
A partir daí essa realidade só se expandiu, outras empresas adentraram no mercado e diminuíram os custos e aumetaram as facilidades para adquirir um celular, os telefones móveis finalmente chegavam na nossa vida como um primo do interior que vem passar uns dias atrás de emprego.
O celular mudou nossos hábitos, primeiramente acabou com a graça dos trotes - diversão de gosto duvidoso até então - o identificador de chamadas acabava com qualquer tentativa de enganar algum bobo na casca do ovo (nunca entendi o porquê dessa expressão!), além disso acabava com a possibilidade de você dizer que não estava, afinal de contas ligaram para o seu celular e você atendeu, e nem adianta tentar imitar a voz do Tim Maia visando ludibriar o outro lado da ligação.
Os celulares acabaram com os trotes telefônicos e com as tentativas de imitar o Tim Maia pra dizer que não estava
Os telefones portáteis - auxiliados pela vidalokice da violência - também introduziram novos medos no nosso já povoado panteão de temores. Hoje o sujeito tem que atender o celular, caso não atenda é porque foi sequestrado, estuprado, teve um rim roubado, rupinado, emasculado e será estrela do programa do Datena. Não existe a possibilidade do dono do celular não ter ouvido a ligação ou não querer atender, não responder a uma chamada ao seu telefone celular é o pior agouro do século 21.
Outra novidade trazida ao nosso cotidiado pelos telefones celulares são os incômodos provocados em filas de banco ou dentro dos transportes coletivos. O silêncio é interrompido de minuto em minuto por toques telefônicos reveladores do gosto musical do dono do aparelho. Estamos tranquilamente na fila bancária nos matando em cálculos mentais, pensando em como fazer pra esticar aquele dinheiro que pensavamos ser eterno e de repente o silêncio é quebrado por "AAAAIIIIIIIHHHHHHHHHHH Aviões do Forró..." a fila inteira se volta procurando o dono do aparelho enquanto o pobre coitado visivelmente sem graça atende o telefone com uma vontade doida de esculhambar com que lhe ligou. Nos transportes coletivos a situação é mais desconfortável, quando o sujeito não tem dinheiro pra comprar um carro e colocar o som no último volume para incomodar todo mundo ele faz uso do jeitinho brasileiro e coloca o seu som - do celular - no último volume dentro do ônibus para incomodar pelo menos os passageiros, uma playbozice muito #fail.
Quem quem atende telefone na fila do banco faz essa cara/ O tormento dos ônibus pós-celular/ se ele não atendeu o telefone ele deve estar assim!
Mas acredito que nada perturbe mais do que ouvirmos conversas paralelas forçados. Geralmente você está numa fila ou dentro de um ônibus e um celular toca, a pessoa - provavelmente uma gorda - insiste em falar alto e em lhe envolver numa rede de intrigas pra Felini fumar. O enredo consiste em um sujeito que trai uma sujeita e ela não faz nada, ou então em um irmão que é sustentado pelos pais e suga-lhes todas as economias. Inicialmente a sua reação é de indiferença, xinga a gorda e envolve sua involuntária adiposidade nos impropérios que pensa; logo em seguida começa a prestar atenção na conversa, para - por último - se envolver nela. Quando a gorda desliga você quer saber mais e já toma partido da confusão, dando seu apoio à mocinha traída ou aos pais explorados pelos filhos.
Particularmente como professor, eu odeio celulares, são os principais inimigos de quem dá aula. Eu faço um esforço desgraçado para envolver meus alunos em uma atmosfera mística do mundo medieval ou na everfescência científica do século 19 e quando todos finalmente conseguem ser transportados mentalmente para a realidade histórica, a viagem é interrompida com a música "ticumê, ticumê, ticumê, ticumê, ticumê, ticumê, ticumê" de um celular tocando, a realidade histórica é desconstruída pelos risos e cara sem graça do dono do aparelho. Sinceramente eu até entendo o porquê dos jovens levarem celulares pra escola, muitos pais trabalham o dia inteiro e se comunicam com os filhos via telefone; o que eu não consigo entender é por que um sujeito liga para o outro às oito e meia da manhã, sabendo que o dono do celular está em aula.
Aluno: - "Fala rapaz!"
Ligador: - "Mermão tu tá vendo Mais Você?!"
Aluno: - "Eu tô na aula rapa!"
Ligador: - "Tu nem sabe o que a Ana Maria Braga tá ensinando a fazer mermão.... PIROSQUI!"
Quem usa celular pra encher o saco do professor? EU!
Mas apesar desse texto até agora só falar mal dos celulares, eu acredito que eles trouxeram benefícios ao ser humano, o principal deles é a companhia para os momentos entediantes ou embaraçosos. Por exemplo, você está em uma reunião de amigos, eles só falam de um assunto que não lhe desperta o mínimo interesse o que você faz? puxa o celular e fica mexendo nele. Marcou com a gatinha e ela tá demorando, o que você faz pra não ficar com cara de paisagem/desespero aguardando? puxa o celular! Fica fuçando os aplicativos para não fingir preocupação, e não interessa se o celular é de pobre e não tem nada pra fuçar, abra a calculadora e fique fazendo conta!
Quanto mais pessoas fuçam um celular em uma roda de amigos, mais chata tá a conversa/ eu acho que ele não vem (não, não, não, não)
Os celulares viraram símbolo da inclusão digital. Não importa o nível social do sujeito, ele tem um celular! As vitrines das lojas populares da capital estão sempre abarrotadas de sujeitos loucos pra consumir o último modelo de celular, ou porque seu antigo foi roubado, ou por consumismo pré-nome-no-SPC mesmo. O nível de consumo alcançou índices impressionantes ao ponto de ser anunciada na última semana a notícia que o número de celulares ultrapassou o de habitantes no Brasil. Será que os telefones móveis se proliferaram de tal maneira pela necessidade do brasileiro de se comunicar? ou pela vontade de ouvir música ruim em alto volume nos transportes coletivos? Quem sabe foi a busca de companhia para momentos de solidão angustiante ou embaraçosa?Talvez um pouco de tudo, mas no Brasil algumas pessoas já defendem o abandono do celular, a Cláudia Raia por exemplo, largou o dela em 2010...














10 pessoas enganadas:
"Ticumê..ticumê.." hauhauah.. acho que era isso que tu tava pensando ao lado daquela loira sexta no acordalice hauahuahau
eu detesto quando toca celular de aluno na minha aula...:-)
Adorei o teu blogue. Muitop bom e interessante. Estou lhe convidando a visitar o meu blogue e se possivel seguirmos juntos por eles. Estarei grato esperando por voce lá
Abraços de verdade
Toques de celulares alheios em sala de aula são constrangedores pra mim, que não tenho nada a ver com isso, ou como em qualquer local que peça silencio e atenção.
A parte da Claudia Raia... tinha que ser você né?
Tem gente que não sai de casa sem celular. Não sei se por medo de que vejam nas chamadas registradas ou se sentem falta do mesmo. Será que é algo tão necessário ou já estamos viciados nele??
Acho que para o bem geral da comunidade deveriam ser distribuídos fones de ouvido para celulares na cesta básica do Brasileiro.
E não adianta colocar avisos em letras garrafais e até mesmo cartazes ofensivos do tipo "ATENDER O CELULAR EM SALA É FALTA DE EDUCAÇÃO", o povo não sabe pôr a porra do celular no silencioso. E o pior eh q tem gente q atende no meio da aula na maior cara de pau. Eu, costumeiramente, paro a aula, espero toda a turma olhar para o autor da conversa incoveniente e espero aquela cara constrangida ao perceber os olhares de reprovação. Mas nem isso dá jeito...
"Ticumê..ticumê.."
kkkkkkkkkkk
Muito louco cara. E o pior é que cada dia tem um ringtone pior.
Sem falar dos caras meio surdo que querem que todo mundo ouça a conversa.
"...pela vontade de ouvir música ruim em alto volume..."
Esta me parece ser a melhor justificativa.
kkkkkkkkk
E o pior de tudo que acontece aqui na minha cidade com os celulares, é os funkeiros que acham que o resto do ônibus tem a obrigação de ouvir esses funks que não tem nada nutritivo além de ' kika novinha ' , pô , compra um foninho ! Isso pra mim é o pior !
Jheneffer Carvalho .
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