sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Babacafolia

Olá caros leitores que estão calculando mentalmente o valor da próxima fatura do cartão de crédito.
Estamos de volta nesse blog cujas atualizações levam mais tempo que a pena do Lindemberg.
O ano de 2011 finalmente está terminando, contamos os dias para o início de um novo ano. As esperanças, como assinaturas da seleções read digest, inutelmente se renovam. Os sonhos se transformam em brisa sacudindo discretamente o comodismo. A vida urge pelo real até - é claro - você abrir o twitter ou o Facebook.
No Brasil, assim como na China, comemora-se o início do ano em outra data. Enquanto a turma do xing ling festeja um novo ciclo anual no vigésimo terceiro dia do último mês lunar, os brasileiros iniciam um novo ano quando a última bunda para de rebolar, é o ano anal.
 Ano novo chinês e o ano novo brasileiro
O carnaval é uma das festas mais antigas do Brasil, originou-se a partir do entrudo, festa portuguesa onde as pessoas colocavam "águas de cheiro" dentro de bolas de cêra e atiravam umas nas outras. Conforme tomava moldes a festa mais característica brasileira, surgia outro personagem indispensável a esse tipo de evento: o babaca de festa.
Logo no início dos festejos carnavalescos os babacas de festa se manifestavam nos entrudos colocando urina, fezes e sêmen de cavalo dentro das bolas de cêra e atiravam nas pessoas. Uma brincadeira típica do Brasil colonial que agradava apenas aos babacas e, é claro, ao cavalo.
 Entrudos e a cara de alguns cavalos após um entrudo
O tempo passou e a babaquice ganhou contornos mais sofisticados. Por volta do século 19 as festas de carnaval brasileiras misturaram-se aos chics e sem graça salões carnavalescos europeus, a folia se elitizava e outros personagens surgiam ali: os playbas CagadaNoSal.
Ser CagadaNoSal representa o nível máximo na escalar Richer dos posers, consiste em ser vistos nos lugares onde os holofotes da moda iluminam. Independentemente de gostar ou não, esse espécime de playba está em qualquer lugar onde ele possa ser visto. Para conseguir criar algo parecido com uma personalidade o CagadaNoSal bebe até flertar com seu inconsciente, comunica-se aos gritos pra poder ser notado e quando encontra alguém da mesma casta grita: "CAGADANOSAL".
No século 19 os CagadaNoSal queriam estar por dentro daquela festa até então descolada chamada carnaval, mas queriam o carnaval dos ricos, a AmauryJrFolia, por isso gostavam de desfilar pelas ruas das maiores cidades brasileiras na época com o estandarte CagadaNoSal: o automóvel. Munidos dessa novidade a playboyzada da época se divertia de uma maneira bem peculiar: mostrando aos outros que tinha um carro e se chapando com lança perfume. Só faltava um bar do horto pra completar.
 CagadaNoSal!
No início do século 20 o samba era perseguido, caso de polícia (levando se em conta a qualidade de alguns pagodes, hoje não seria má ideia) até o governo Getúlio Vargas, quando se procurou criar um identidade nacional para o país incentivando justamente a cultura popular como o samba e a capoeira.
A partir dessas medidas o samba desceu o morro, deixou de ser mestre sala apenas da cultura negra marginalizada, ganhou o Brasil, era gerado ali outro tipo de babaca: o babacólogo.
Mistura de babaca com sociólogo, essa espécie corresponde geralmente ao filho mais novo ou receptor de menor atenção de alguma família rica. Para tentar chamar a atenção do papai o babacólogo se embrenha nas maiores vidalokices que possam aparecer e sempre segue a direção oposta do vetor da moda de uma época. Se está na moda vestir calças, ele usa bermuda. A tendência é charme, ele vai de funk.

O babacólogo idealiza a vida das classes menos abastadas. Acha lindo como as famílias se unem para dividir uma sopa, chora ao ver um operário voltar do trabalho e possuir sua mulher com a intensidade de um nunca mais. Enfim romantiza a vida do pobre, mas não quer ser um.
O babacólogo foi uma das espécies mais comuns no Brasil durante o século 20, elitizou o samba e o afrescalhou chamando de Bossa Nova. Por ter sempre atrás dele uma penca de mocinhas de famílias ricas com uma pré-disposição genética pra gostar de babacas e que achavam lindo aquela James Dean com Noel Rosa sambando na cara da sociedade, o babácologo levou - com seu ar Black Soul Samba - a elite para sambar na avenida.
Hoje as escolas de samba saíram da exclusividade das comunidades, que vivem em prol dos desfiles o ano todo, e se transformaram em uma passarela globalizada de uma corja de mariposas de holofotes, desvirtuando a maior festa popular do Brasil.
Hoje o carnaval mantém vivos com pujança esses três tipos de babacas, presentes em todas as folias de Momo Brasil afora, mesmo passados mais de quinhentos anos ainda é simples identificá-los.
O babaca de festa tenta impor seu modelo de diversão pra todos, não gosta de ser contrariado. É o sujeito arrumador de confusão, seu habitat natural são os postos de gasolina, onde - em grupos - alinham seus sons automotivos no último volume enquanto exibem bebidas mais caras que o próprio carro. Hoje conhecida como absoluteiros, essa raça de babaca consegue estragar qualquer carnaval com seu som potente e músicas de péssima qualidade. Arrisco a dizer serem os tipos de babacas mais numerosos no Pará hoje.

Os CagadaNoSal estão em todas, se dão bem com todo mundo e não se importam com nada, afinal estão suficientemente bêbados para isso. São sujeitos cuja falta de personalidade fazem parecer surfistas, pois sempre vão a qualquer evento, do São João ao batizado de anões, com a mesma justificativa: "por causa da onda". Seu habitat geralmente é na casa de algum parente ou amigo, carregam consigo um manto sagrado, o qual só abrem mão do uso nos últimos segundos de folia: a sunga. Amanhecem e vão dormir de sunga, parece que ela está chumbada no corpo. Isso sem falar da garrafa de destilado na mão e a necessidade insaciável de fazer amizade com todo mundo pulando em rodinhas e gritando "CAGADA NO SAL!".
Já o babacólogo faz o caminho inverso. Enquanto todos comemoram o carnaval fantasiados entoando marchinhas ou samba enredo, ele fica olhando para as classes menos favorecidas e chorando. Vai na contramão das outras pessoas. Tá na moda ir pro Rio de Janeiro? O babacólogo vai pro carnaval de Marituba. Sempre querendo lançar moda, esse tipo de babaca é pura contradição, faz toda propaganda sobre um determinado lugar ou evento, quando começa a se popularizar ele é o primeiro a falar mal.
Na última década também surgiu outro tipo de babaca, ligado a internet e fazendo uso das redes sociais para falar mal de tudo, achando-se melhor que todo mundo: O dono de blog. Desse eu não posso falar nada simplesmente por não conseguir fugir da parcialidade.
E vocês conhecem outro tipo de babaca?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sem camisa

Me senti tão desprezado
quando provei teu desapego
a gente ainda nao tinha terminado
eu fui te buscar no teu emprego

te vi saindo radiante
como o astro rei desse planeta
com um colar de sementes gigantes
o rapaz se tufava dentro da camiseta

aquela dor consumiu minha alma
deixou-me um ardor em forma de açoite
o rapaz portava sua mão com calma
e usava boné de noite

minha vida
meus planos
quebraram-se ali
em plenos vinte anos
dediquei cinco a ti

agora te vejo ao lado
de um rapaz tão posudo
fiquei paralisado
todo barrigudo

mas isso vai mudar,
vou me livrar
dessa afasia
quando segunda chegar,
vou me matricular,
em uma academia.

Me vingarei de ti enquanto malho
será uma revanche à minha guisa
entao irei te visitar no trabalho
sem atalho, sem camisa

falar-te-ei umas boas verdades
enquanto te quereras para mim
pisarei nas tuas vaidades
direi que tens até pedra no rim

após esmagar todas tuas vontades
vou me embreagar com a infima brisa
abraçarei toda essa cidade
andando por aí sem camisa. (lorodadoca)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Música de sexta II

Caros visitantes entediados que clicam em qualquer link para procrastinar o trabalho.
Estamos de volta com mais um post nesse blog que é quase uma tekpix, possui inúmeras funções mas nenhuma desempenhada de forma decente.
Hoje é sexta-feira de novo, dia do relógio tropeçar nos ponteiros dos segundos, dos companheiros de trabalho se vestirem de maneira mais engraçadinha. Dia de evitar a todo custo o Globo Repórter.
E para fazermos da sua sexta-feira a noite mais linda do mundo, nossa equipe - após dezoito horas de exaustivas discussões sobre qual o pior vilão de mulheres de areia - escolheu uma música do início dos anos noventa, mas que se assemelha tanto aos dias de hoje como o Sivuca se parecia com o Hermeto Pascoal.
 Hermeto Pascoal e Sivuca
A Belém dos anos noventa, como o Brasil inteiro, vivia momentos econômicos difíceis. A década de oitenta havia acabado mas deixava como herança a Playboy da Magda Cotofre, penteados horríveis e a empolgação manceba do Cazuza. Pelo país adentro as pessoas pensavam em fazer as piores maldades com os demarcadores de supermercado, Fernando Collor de Mello confiscava a poupança dos Brasileiros enquanto Felipe Barreto confiscava a poupança da jovenzinha Malu Mader na novela "O Dono do Mundo".
 Os mais odiados do início dos anos noventa
No Brasil a população aprendia o significado de três palavras: camisinha, HIV e inflação. A crise econômica provocada pela elevação dos preços fazia da Ministra da Economia uma celebridade tão comentada e cutucada como uma BBB. Nesse cenário se desenvolve a canção de hoje.
A música "Não vou sair" (cantada na voz do nosso Pedro Bial Fernando Pessoa, Nilson Chaves) representa justamente a visão de uma geração já meio decepcionada com o tipo de democracia pós-ditadura militar e sem muitas pespectivas em um país com superinflação, recessão e tendo o corte de cabelo sorvete como moda.
Esse panorama desanimador da falta de oportunidades parece com o encontrado por aqui hoje, um clima de quem-sair-por-último-de-Belém-apaga-a-luz alagava a cidade tal qual as obras mal feitas do prefeito Duciomar Gomes da Costa (era de se esperar que uma cidade governada por um prefeito com nome de sardinha vivesse debaixo d'água né?), esse cenário levava muitos belenenses a saírem da capital do estado em busca de outras regiões onde pudessem ter melhores condições de vida ou pelo menos usar uma jaqueta.
Aí entra um dos maiores, mais ricos e mais coadjuvantes países das Américas, o Canadá. O território extenso e gelado, além da população de barba e camisa quadriculada, fizeram com que a população indie paraense migrasse em peso para as terras frias do norte, inclusive a peguete do Nilson.
Contudo quando nosso herói amazônida preparava suas malas cheias de informativos da SECULT, o luar ricocheteou no mar e despertou o regionalismo faceiro com sabor de açaí no nosso paladino do Terruá.
Apesar de possuírem quase vinte e um anos, os versos soam mais atuais que muitos tecnomelodys prometedores de passar o sal e se entrelaçam na contemporaneidade de uma Belém aniversariando em uma das piores gestões de sua história, com os milhares de conterrâneos sofrendo de banzo e até com a Luíza que outrora estava no Canadá.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Música de sexta

Olá caros revolucionários de hashtag.
Estou tentanto ao máximo fazer um esforço criativo para voltar a publicar por aqui com mais frequência, contudo a única coisa que eu criei até agora foi um pouquinho de vergonha na cara para postar mais um daqueles textos merecedores de alt + F4.
Chegamos ao dia mais forçosamente idílico da semana, sexta-feira, a apoteose dos happy hours, o dia da semana onde os chefes são mais xingados nas mesas dos bares mundo afora. Aproveitando esse clima despojado e tentando reforçar sua crença patética de que esse fim de semana será o melhor da sua vida (e nunca vai acabar com a companhia do Faustão), nossa equipe composta por 265 músicos, treze coreógrafos e uma pedagoga pra encher o saco resolveu trazer para vocês nas sextas-feiras algo para lhes fazer refletir, dançar e cantar. Não! não é o espelho do banheiro. A equipe do lorotas da doca juntamente com a "Pablo qual é a música" consultoria musical inaugura nossos post exclusivos de sexta-feira onde uma música será escolhida e comentada aqui.
Para estrear esse espaço - e afundar de vez o blog - colocamos uma música que fez sucesso em Belém em meados dos anos noventa.Calma, você provavelmente está pensando em algum brega envolvendo uma banda com o nome regional e pinduquista não é? Acertou!
A música "Rolando um brega" da Banda Sabor Açaí pode fazer você xingar o gosto musical da nossa equipe mas ela é perfeita para inaugurar esse espaço.
Quem tem por volta dos seus trinta anos lembra de uma noite bem diferente da atual,  o espírito da dança assombrava cidade (graças ao Sexto Sentido do rebolado, Wladimir Costa, o cara que via o espírito da dança todo o tempo), o número de opções era bem diferente e as atrações daqui (mais conhecidos como "artistas da terra") exibia um regionalismo ingênuo e sincero, sem a plastificação de manifestação social de periferia.
Era uma época sem bares clones com cadeiras de madeira ocupando as calçadas, casais com cara de paisagem e violeiro com um setlist fazendo nossa mente variar entre imaginar o Djavan devorar alguém ou visualizar como é a aparência de mulher feita quando Deus pensava em dinossauros.
O espírito da dança e a música inspiradora do Djavan
Não estou sendo saudosista ou nostálgico como alguém que engordou e empelhancou dez quilos na última década, mas a cidade era menos violenta e transpirava uma boêmia lírica onde ainda sê vê em poucos lugares. A canção cita o African Bar, uma espécie de irmão mais velho do jovens noventistas, no qual a maioria dos jovens dessa época estreou quando ainda se chamava balada de "farra".
Vários outros lugares são citados, desde os mais "comportados", como o Olê Olá, até os povoadores das mentes dos adolescentes da geração "Sexta Sexy: Emannuelle" como o Lapinha e o Kalamazoo. A música faz referência também às aparelhagens e reflete uma Belém em transição entre a linguaguem dançante dos fins dos anos noventa e a linguaguem de surdo mudo das aparelhagens, onde as pessoas não dançam, ficam fazendo gestos com as mãos.
Vale a pena ouvir aos desconhecedores de uma velha Belém de 13 anos atrás, inserida apenas com a ponta dos pés na globalização. Para os que conheceram essa época a música será um foursquare mental.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Belém do Pará, um dia...

O sol mais uma vez cobre a cidade com seu caloroso cobertor amarelado, parece reanimador e vem para despertar uma cidade que já estava acordada, esperava apenas seu cálido despertador se manifestar. Amanhece mais um dia em Belém, a cidade se levanta ao som de kombis moribundas indo e vindo da CEASA, do barulho mal educado e por vezes apressado dos motoristas de ônibus, dos sons automotivos dos últimos vidalokas se vangloriando por não terminarem a farra.

A cidade se colore em um arco-íris de tonalidades parecidas com as roletas de festas interioranas, um calendoscópio bonito se forma no ver-o-peso entre o prateado dos peixes; o verde, vermelho e amarelo das frutas; o azul do céu e as cores bizarras dos uniformes escolares. Pela cidade logo se espalham morenas do beiço vermelho de batom, estudantes e operários de semblante apressado parados esperando o ônibus imaginando como suas vidas seriam melhores se não tivessem que trocá-las por um futuro um pouco menos sofrível. A manhã ensolarada anima a triste decadência da capital.Bate uma esperança no futuro de Belém.
A manhã passa entre aposentados caminhando, office boys, domésticas, galanteios da Construção Civil e assovios de flanelinhas. O sol pouco a pouco se intensifica até atingir o auge do seu cinismo ao meio dia, transformando os ônibus da cidade em estufas de bicicletas de completo. Buzinas, engarrafamento e um vendedor de bombons que acabou de subir no ônibus fazem pensar em alguma forma de sair da cidade, abandonar Belém, enquanto milhares de paixonites dos transportes coletivos estouram pela cidade.

Quando se pensa nada ser pior que o sol, o azul do céu repentinamente dá lugar à uma tempestade castanha como a descrita pelo Renato Russo. A chuva chega inspirando os ricos e apresando os pobres, retira-se deixando uma mistura de suor e chuva na testa e um cheiro de asfalto molhado com café típico de Belém. Na Doca emanam os odores da Phebo perfumando o esgoto decadente em forma de canal dando melhor feitio até aos ratos.

O fim da tarde vem trazendo consigo o companheiro inseparável da cidade nos últimos anos: o caos. Buzinas se misturam aos carros-sons, sirenes de ambulância e da polícia, batidas de carros estúpidas, dance music no rádio, celulares miando tecnobrega e o sississississi das cigarras anunciam a chegada de mais uma noite em Belém. Enquanto as pessoas procuram mentalmente dentro de um Cipriano Santos - Pres. Vargas superlotado por algum parente em outra cidade para pedir arrego, o sol aparece sorrindo e abençoando toda essa bagunça.
A tarde agoniza em moças formosas com roupas de academia, crianças voltando da aula, happy Hours, Universitários, litrões, pessoas fazendo aniversário ou se despedindo da cidade. Bares lotam as calçadas sob a  trilha sonora de alguma MPB clichê enquanto carros de mais de oitenta mil reais passa lentamente pela frente. Na Pedreira, Jurunas e Guamá a criançada brinca nas ruas e nas vilas, os vizinhos mantém uma Belém de vinte anos atrás e se reúnem nas suas portas para comentar o dia-a-dia afrontando a imagem construída dos bairros. A noite cai diante do testemunho barulhento dos postos de gasolina e assaltos com refém atordoada por paradas de ônibus lotadas de operários e casais romanticamente encaixados esperando o último obstáculo para chegar bem em casa. Facanhas de quem mora em uma cidade violenta.
Dentre fogos misteriosos e apitos de guardas noturnos a madrugada se esvai. Ao som dos grilos do sossego ou dos graves automotivos mais um dia amanhece em Belém do Pará e o sol, vaidoso, inicia mais uma árdua jornada de mostrar esperança no cada vez mais difícil exercício de viver em Belém.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Previsões 2012

Bem meus caros e apóstatas leitores, depois de um grande recesso resolvi espanar a poeira desse espaço e voltar ao patético ofício de blogueiro, ninguém tá nem aí mesmo, mas eu tenho a péssima mania de me justificar sem a mínima necessidade.
Como o Mestre dos Magos, o lorotas volta cheio de indiretas, dicas inúteis e - é claro - aparecendo quando bem entender.
Estamos iniciando o ano de 2012, o último dos anos do calendário Maia, a civilização ocidental é uma graça, adora copiar culturas alheias com a desculpa de globalização, a vez agora é dos Maias, resolvemos acreditar neles e inventar um fim do mundo para bolarmos cantadas, piadinhas, festas do litrão ou de ressaca. Ora, os maias também tinham o hábito de colocar pequenas contas nas testas das crianças para que elas ficassem vesgas, iremos imitar isso também? ... Antes que alguém tente vamos terminar esse parágrafo.
Enfim, todo início de ano é a mesma coisa, esperanças renovadas, o pré-natal igual ao pós-natal com todo mundo barrigudo, programação enlatada na televisão e as previsões, ah as previsões...
 O pré-natal e o pós-natal
Prever o futuro é uma das artes mais antigas da humanidade, estudiosos acreditam que o primeiro homem a conseguir vislumbrar o amanhã foi um sujeito afim de uma moça bonita que previu a paixão dela por um babaca, iniciava-se o ritual tão obrigatório aos finais de ano quanto ficar olhando a cara de índia velha do Roberto Carlos.
 A primeira previsão feita e a carinha mais famosa dos fins do ano
A equipe do lorotas, é claro, não poderia ficar fora dessa. Aliás poderia, mas o tédio provocado por um filme idiota com um cachorro foda e vilões mais idiotas ainda na sessão da tarde nos obrigou a escrever esse post com previsões para o ano que se inicia.
Tentamos a ajuda de diversos especialistas em previsões, mas como todo ano sempre acontecem as mesmas coisas, resolvemos apenas copiar os três dois primeiros sites que apareceram na busca do google.
Veja abaixo as previsões mês a mês:
Janeiro: Catástrofes naturais ocasionadas principalmente pelas chuvas vão afetar o sudeste brasileiro, você não vai estar nem aí e vai ficar dizendo impropérios mentais elogiando a boa forma da moça do tempo. O mês terá momentos difíceis com a chegada da fatura do cartão de crédito com as compras de Natal, no campo das amizades você começará a selecionar suas amizades de acordo com quem vê ou não Big Brother.

Fevereiro: As tragédias provocadas pelas chuvas no sudeste assim como tudo que acontece no Brasil e no mundo serão abruptamente esquecidos por conta do início do carnaval, marcas no joelho e no pescoço podem aparecer inexplicavelmente pela manhã em você durante os dias de carnaval, uma música que tem versão em tecnobrega, forró e sertanejo universitário vai dominar sua mente. No fim do mês você vai jurar nunca mais beber.

Março: O ano finalmente se inicia, você vai começar a contar as horas pro fim do expediente, os dias que faltam pra chegar sexta e vai decorar todos os feriados do ano com uma habilidade impressionante.

Abril: As promessas de perder peso feitas na virada de 2012 vão pro espaço com a páscoa. Se você tiver dinheiro para viajar vai entupir seu Facebook de fotos espontaneamente forjadas, se não tiver vai usar as redes sociais pra falar mal de quem viajou.

Maio: Você vai ser convidado para algum casamento, se tiver namorada vai ser pressionado a casar, se for solteiro vai ter vontade de casar. Chantagens emocionais de mãe podem aparecer no percurso.

Junho: Você vai fazer cosplay de Alceu Valença no Arraial do Pavulagem fingindo curtir a cultura paraense mas na verdade só vai pra encher a cara, os universitários vão pensar nas mais diversas formas de suicídio ou homicídio, Os namorados vão venerar as namoradas fazendo poker face em fila de restaurante no dia 12, as solteironas vão venerar Santo Antônio no dia 13. Você vai se matricular em uma academia para ficar em forma para o mês de julho mas só irá pelo período de uma semana.

Julho: Você vai fazer uma viagem que só vai lhe trazer dívidas e ressaca moral, se você estiver namorando, vai terminar o namoro para viajar. Quando você pensava que tinha esquecido aquela música que tocou exaustivamente no carnaval ela vai atazanar de novo. Você perderá horas no Facebook olhando foto das amigas de biquíni se for homem, se for mulher vai passar horas procurando defeito no biquíni ou no corpo das amigas.

Agosto: Você vai conseguir se curar da micose adquirida no mês de julho, vai reafirmar as promessas feitas no fim de 2011 de emagrecer, se matriculará em uma academia e dessa vez irá...por três dias. As Olimpíadas vão terminar com alguma gracinha insossa do Tiago Leifert e com você afirmando que o Brasil tem tudo pra ser uma potência olímpica, só precisa de investimentos.

Setembro: Você vai aproveitar um feriado mas não faz a mínima ideia do que se comemora nele, será lançada alguma porcaria tecnológica que você não vai saber bem a serventia mas vai querer um. Você vai se divertir com o horário eleitoral dos vereadores e vai contrair uma hemorróida nervosa com o horário eleitoral para prefeito.

Outubro: Parentes e amigos nascido em Belém mas residentes fora voltarão à cidade bancando os turistas, você se entupirá de pato no tucupi e maniçoba e vai se lembrar de alguma promessa feita à Nossa Senhora de Nazaré que esqueceu de pagar. Você vai jurar ir na corda no próximo ano.

Novembro: Mais feriados cujos significados você nem imagina virão, a decoração dos shoppings e das lojas vai denunciar o fim do ano enquanto você começa a bolar justificativas para si mesmo do porquê não ter feito nada do que prometeu na virada de 2011 pra 2012. Começam os planejamentos com o décimo terceiro, serão tantos planos que ultrapassarão o valor do salário extra.

Dezembro: Você vai pedir perdão a todo mundo pelo que foi feito durante o ano, será obrigado a abraçar pessoas esquisitas nas festas de confraternização da empresa, piadinhas sobre o fim do mundo vão se proliferar e lhe fazer desejar o armagedon. Você vai passar horas sonhando com o dinheiro da Mega Sena da virada e vai esquecer de fazer o jogo. Retrospectivas vão jogar indiretas de que você nada fez em 2012.
*as imagens de dezembro ainda estão vivas na memória*
Além dessas precisas previsões, outras ocorrerão durante o ano todo:
  • Uma periguete que você conhece vai engravidar
  • Um jogador de futebol vai protagonizar um escândalo
  • Um anônimo fará sucesso na internet e todo mundo vai imitá-lo
  • A sexualidade de um astro adolescente vai ser questionada
  • Você vai ouvir falar da crise da Europa um pouco antes de trocar de canal.
E vocês leitores têm alguma previsão que queiram compartilhar? Cometem!