Olá caros leitores que estão calculando mentalmente o valor da próxima fatura do cartão de crédito.
Estamos de volta nesse blog cujas atualizações levam mais tempo que a pena do Lindemberg.
O ano de 2011 finalmente está terminando, contamos os dias para o início de um novo ano. As esperanças, como assinaturas da seleções read digest, inutelmente se renovam. Os sonhos se transformam em brisa sacudindo discretamente o comodismo. A vida urge pelo real até - é claro - você abrir o twitter ou o Facebook.
No Brasil, assim como na China, comemora-se o início do ano em outra data. Enquanto a turma do xing ling festeja um novo ciclo anual no vigésimo terceiro dia do último mês lunar, os brasileiros iniciam um novo ano quando a última bunda para de rebolar, é o ano anal.
Ano novo chinês e o ano novo brasileiro
O carnaval é uma das festas mais antigas do Brasil, originou-se a partir do entrudo, festa portuguesa onde as pessoas colocavam "águas de cheiro" dentro de bolas de cêra e atiravam umas nas outras. Conforme tomava moldes a festa mais característica brasileira, surgia outro personagem indispensável a esse tipo de evento: o babaca de festa.
Logo no início dos festejos carnavalescos os babacas de festa se manifestavam nos entrudos colocando urina, fezes e sêmen de cavalo dentro das bolas de cêra e atiravam nas pessoas. Uma brincadeira típica do Brasil colonial que agradava apenas aos babacas e, é claro, ao cavalo.
Entrudos e a cara de alguns cavalos após um entrudo
O tempo passou e a babaquice ganhou contornos mais sofisticados. Por volta do século 19 as festas de carnaval brasileiras misturaram-se aos chics e sem graça salões carnavalescos europeus, a folia se elitizava e outros personagens surgiam ali: os playbas CagadaNoSal.
Ser CagadaNoSal representa o nível máximo na escalar Richer dos posers, consiste em ser vistos nos lugares onde os holofotes da moda iluminam. Independentemente de gostar ou não, esse espécime de playba está em qualquer lugar onde ele possa ser visto. Para conseguir criar algo parecido com uma personalidade o CagadaNoSal bebe até flertar com seu inconsciente, comunica-se aos gritos pra poder ser notado e quando encontra alguém da mesma casta grita: "CAGADANOSAL".
No século 19 os CagadaNoSal queriam estar por dentro daquela festa até então descolada chamada carnaval, mas queriam o carnaval dos ricos, a AmauryJrFolia, por isso gostavam de desfilar pelas ruas das maiores cidades brasileiras na época com o estandarte CagadaNoSal: o automóvel. Munidos dessa novidade a playboyzada da época se divertia de uma maneira bem peculiar: mostrando aos outros que tinha um carro e se chapando com lança perfume. Só faltava um bar do horto pra completar.
CagadaNoSal!
No início do século 20 o samba era perseguido, caso de polícia (levando se em conta a qualidade de alguns pagodes, hoje não seria má ideia) até o governo Getúlio Vargas, quando se procurou criar um identidade nacional para o país incentivando justamente a cultura popular como o samba e a capoeira.
A partir dessas medidas o samba desceu o morro, deixou de ser mestre sala apenas da cultura negra marginalizada, ganhou o Brasil, era gerado ali outro tipo de babaca: o babacólogo.
Mistura de babaca com sociólogo, essa espécie corresponde geralmente ao filho mais novo ou receptor de menor atenção de alguma família rica. Para tentar chamar a atenção do papai o babacólogo se embrenha nas maiores vidalokices que possam aparecer e sempre segue a direção oposta do vetor da moda de uma época. Se está na moda vestir calças, ele usa bermuda. A tendência é charme, ele vai de funk.
O babacólogo idealiza a vida das classes menos abastadas. Acha lindo como as famílias se unem para dividir uma sopa, chora ao ver um operário voltar do trabalho e possuir sua mulher com a intensidade de um nunca mais. Enfim romantiza a vida do pobre, mas não quer ser um.
O babacólogo foi uma das espécies mais comuns no Brasil durante o século 20, elitizou o samba e o afrescalhou chamando de Bossa Nova. Por ter sempre atrás dele uma penca de mocinhas de famílias ricas com uma pré-disposição genética pra gostar de babacas e que achavam lindo aquela James Dean com Noel Rosa sambando na cara da sociedade, o babácologo levou - com seu ar Black Soul Samba - a elite para sambar na avenida.
Hoje as escolas de samba saíram da exclusividade das comunidades, que vivem em prol dos desfiles o ano todo, e se transformaram em uma passarela globalizada de uma corja de mariposas de holofotes, desvirtuando a maior festa popular do Brasil.
Hoje o carnaval mantém vivos com pujança esses três tipos de babacas, presentes em todas as folias de Momo Brasil afora, mesmo passados mais de quinhentos anos ainda é simples identificá-los.
O babaca de festa tenta impor seu modelo de diversão pra todos, não gosta de ser contrariado. É o sujeito arrumador de confusão, seu habitat natural são os postos de gasolina, onde - em grupos - alinham seus sons automotivos no último volume enquanto exibem bebidas mais caras que o próprio carro. Hoje conhecida como absoluteiros, essa raça de babaca consegue estragar qualquer carnaval com seu som potente e músicas de péssima qualidade. Arrisco a dizer serem os tipos de babacas mais numerosos no Pará hoje.
Os CagadaNoSal estão em todas, se dão bem com todo mundo e não se importam com nada, afinal estão suficientemente bêbados para isso. São sujeitos cuja falta de personalidade fazem parecer surfistas, pois sempre vão a qualquer evento, do São João ao batizado de anões, com a mesma justificativa: "por causa da onda". Seu habitat geralmente é na casa de algum parente ou amigo, carregam consigo um manto sagrado, o qual só abrem mão do uso nos últimos segundos de folia: a sunga. Amanhecem e vão dormir de sunga, parece que ela está chumbada no corpo. Isso sem falar da garrafa de destilado na mão e a necessidade insaciável de fazer amizade com todo mundo pulando em rodinhas e gritando "CAGADA NO SAL!".
Já o babacólogo faz o caminho inverso. Enquanto todos comemoram o carnaval fantasiados entoando marchinhas ou samba enredo, ele fica olhando para as classes menos favorecidas e chorando. Vai na contramão das outras pessoas. Tá na moda ir pro Rio de Janeiro? O babacólogo vai pro carnaval de Marituba. Sempre querendo lançar moda, esse tipo de babaca é pura contradição, faz toda propaganda sobre um determinado lugar ou evento, quando começa a se popularizar ele é o primeiro a falar mal.
Na última década também surgiu outro tipo de babaca, ligado a internet e fazendo uso das redes sociais para falar mal de tudo, achando-se melhor que todo mundo: O dono de blog. Desse eu não posso falar nada simplesmente por não conseguir fugir da parcialidade.
E vocês conhecem outro tipo de babaca?













































